Alice está sozinha em seu quarto. Com uma gilete ela faz pequenos cortes em seu pulso, sem saber porque. Ela sangra sozinha mas não se deixa dominar. Seus pais a ferem e castigam, sem saber que ela já não pertence mais a esse mundo. Se ninguém a ama, ela não ama ninguém. Mesmo que a amem, ela sempre ama alguém. Alice vive rodeada de pessoas e lembranças. Amigos, conhecidos, estranhos, repulsivos. Em meio a infinitas almas, e mesmo assim eternamente solitária na companhia de sua colcha de retalhos (emocional). Afoga-se atrás de uma tela brilhante e, trancada em seu mundo, tenta seguir o Coelho Branco, o ser ora cruel, ora apaixonado, por vezes indesejado por outros, que a ajuda e ama incondicionalmente. Juntos, eles são uma única forma feliz. Separados, pedaços entregues à destruição.
[...]
Alice ainda tem medo, mas ela entende que o Coelho Branco não irá abandoná-la. Em um determinado momento, algo tem que dar certo e eles poderão parar de correr. Alice precisa fazer alguma coisa, ainda que não saiba o que. Ela segura a mão do Coelho, para que ele a carregue até sua toca. Ele não sabe o que está fazendo, mas isso não importa agora. Ele atira em sua perna para pintar um belíssimo quadro com sangue. Alice e o Coelho Branco já estão descendo pelo buraco, correndo pela escuridão, distantes de tudo.
Caindo e amando, morrendo um dia de cada vez.
Y
